“Dear Lourdes,” by Leah Singer & Lee Ranaldo

A Galeria Tratuário apresenta Dear Lourdes, uma exposição de Leah Singer e Lee Ranaldo que nasce da descoberta de afinidades inesperadas entre as suas práticas artísticas e a obra da artista madeirense Lourdes de Castro. A exposição propõe um diálogo à distância com Castro, construído ao longo do tempo através de encontros, descobertas e percursos paralelos.

Em 2011, Lee Ranaldo conheceu Lourdes de Castro no Funchal e teve oportunidade de aprofundar o seu conhecimento sobre a artista e a sua prática. De regresso a casa, trouxe consigo vários livros sobre a sua obra, que mostrou a Leah Singer. Esta reconheceu de imediato uma proximidade com o seu próprio trabalho. Desde o início da década de 1990, Singer explorava o motivo da silhueta, sem conhecer a obra de Castro – a sua gémea de “sombras”.

Leah Singer descreve esta ligação como uma “amizade fantasma”: uma relação que se forma sem contacto pessoal direto. As duas artistas nunca se conheceram. O título da exposição, de natureza epistolar, com a sua expressão de afeto e a vírgula que a acompanha, evoca uma dimensão familiar e genealógica. É como se Singer e Ranaldo integrassem um dos Álbuns de Família construídos por Lourdes de Castro, um arquivo de imagens e textos que a artista reuniu ao longo do tempo, revelando afinidades com todos aqueles que se deixaram encantar pela silhueta.

Com Dear Lourdes, Leah Singer e Lee Ranaldo refletem sobre as ligações que podem surgir entre artistas separados pelo tempo, pela geografia e pela experiência, mas unidos por modos de ver, pensar e trabalhar. A vírgula no título mantém a mensagem em aberto: não como uma conclusão, mas como um convite à continuidade do diálogo.

Inauguração: 5 de novembro, às 18h00.
Patente até 8 de janeiro de 2027

Sobre os artistas

Leah Singer é artista visual e escritora. A sua prática multidisciplinar abrange o cinema e o vídeo, a fotografia e a performance ao vivo.
Lee Ranaldo é músico, artista visual e escritor, e membro fundador dos Sonic Youth.

Singer e Ranaldo colaboram desde 1991, ano em que começaram a desenvolver DRIFT, uma performance que combina música ao vivo com a manipulação, em tempo real, de projeções e película de 16mm.
Ao longo de mais de três décadas, a sua prática conjunta tem explorado as interseções entre som, imagem e performance, dando origem a trabalhos que questionam as fronteiras convencionais entre a música e as artes visuais.