
A Galeria Tratuário apresenta All Sorrows Can Be Borne (if you put them into a story), do artista João Francisco Correia, com a curadoria de Margarida Caldeira.
Partindo da ideia de que a memória raramente regressa inteira, mas antes em fragmentos moldados pelo tempo, pela distância e pelo esquecimento, o artista desenvolve uma reflexão sobre migração, pertença e identidade. Através de vestígios recolhidos em diferentes territórios, João Francisco Correia transforma o arquivo em matéria artística, criando narrativas onde o íntimo e o político se cruzam.
Inspirada na célebre frase de Karen Blixen, a exposição reúne vestígios recolhidos nos territórios de Aruba, Colômbia e Venezuela, transformando-os em matéria artística. O arquivo deixa de assumir uma função meramente documental para se afirmar como espaço de criação, onde a memória é convocada na sua instabilidade e na sua capacidade de reinvenção.
Ao longo da exposição, a imagem surge como lugar de inscrição crítica e reflexão contemporânea, revelando tensões associadas às dinâmicas de mobilidade global. Entre turismo massificado e migração forçada, entre circulação privilegiada e deportação, a obra confronta diferentes realidades de deslocação e pertença.
O trabalho de João Francisco Correia inscreve-se, assim, num campo de reflexão onde experiência individual e dinâmicas globais se cruzam. Mais do que representar estas fraturas, a sua prática artística incorpora-as, tornando visível uma dimensão crítica que atravessa o presente.
“All Sorrows Can Be Borne (if you put them into a story)” será inaugurada no dia 28 de maio, pelas 18h00, na Galeria Tratuário.
